Vamos nos tornar referência na Educação Infantil? Estaremos buscando um caminho em conjunto para que
a Educação seja colocada no lugar que lhe é devido. Vamos discutir propostas concretas baseadas na MEDIAÇÃO (Feuerstein),
nas COMUNIDADES DE APRENDIZAGEM (Escola da Ponte-Portugal) e na BNCC - Base Nacional Comum Curricular.
Estaremos construindo as propostas que poderão ser tabalhadas na Educação Infantil com a experiência de toda a comunidade
que desejar participar desta proposta.
Atualmente faço parte da equipe da EMEI Profª Stela Maria de Paiva Carrijo-Uberlândia-MG-Brasil,
a equipe é composta de trabalhadores que buscam continuamente a excelência na Educação.
Vamos juntos nesta mudança? Podemos quebrar os velhos paradigmas ainda presentes em nossa educação. Logicamente o trabalho de mudanças é longo, mas quando se pensa em mudanças elas necessariamente ocorrem e podemos aproveitar este momento impar criado pela aprovação da BNCC - Base Nacional Comum Curricular para reconstruir a educação, repensando como vamos mudar verdadeiramente com novas propastas como a mediação e as comunidades de aprendizagem realizando as transformações necessárias para uma nova era educacional.
"Reuven Feuerstein nasceu em Botosan (Romênia) em 1921, no seio de uma família judia
muito sensível à cultura e à educação. Mostrou desde criança as suas qualidades: aos 3 anos já falava
duas línguas e aos 8 ensinava o hebraico às crianças de sua comunidade. Quando em 1944 a Romênia foi ocupada,
Feuerstein, que neste período ensinava em Bucareste numa escola para filhos de deportados,
foi mandado para um campo de concentração. Afortunadamente conseguiu escapar e imigrou para Israel,
onde se dedicou à educação dos adolescentes sobreviventes ao Holocausto. Tratava-se, a maior parte,
de órfãos, pertencentes a diversas culturas, provindos de numerosos países europeus e africanos, que,
devido às terríveis experiências vividas, apresentavam carências cognitivas muito semelhantes aos indivíduos com
deficiência mental. Foi a partir dos estudos com estes adolescentes que Feuerstein e seus colaboradores desenvolveram
um sistema de avaliação do potencial de aprendizagem (LPAD) e um programa de intervenção cognitiva (PEI),
que se tornou conhecido no mundo como método Feuerstein".
Texto extraído de www.cdcp.com.br.
Por mais que se procurem caminhos para que a educação "funcione" é preciso sempre pensar no dia a dia de quem se
coloca em contato direto com o aluno/mediado/aprendiz, esta pessoa hoje entendida como professor necessita ser respeitado
e valorizado a fim de que se transporte a um novo patamar: o de MEDIADOR.
Ao se mostrar como mediador, o professor sai da simples transmissão de informação para o mediador do conhecimento.
A mediação aqui defendida e proposta como viabilizadora de uma mudança postural do professor para mediador
é apresentada por Feuerstein em sua teoria de Modificabilidade Cognitiva Estrutural e de Experiência de Aprendizagem
Mediada. A plasticidade neuronal nos mostra que TODOS podem desenvolver seu potencial cognitivo. Feuerstein nos deixou
uma gama de oportunidades para que possamos tornar a mediação como principio educacional. A mediação responde a uma questão
que sempre se faz presente nas discuções: a mudança necessária da educação vai acontecer quando?.
É um caminho a ser buscado por todos os
professores/mediadores, pois abre o olhar dos professores/mediadores para o aluno/mediado que se faz o motivo/intenção da mediação.
Feuerstein tem um ingrediente importante nos dias de hoje, ele trabalha a AFETIVIDADE como um dos pilares da mediação.
Os conceitos aqui apresentados foram retirados do livro: MENTIS, Mandia et al. Aprendizagem mediada dentro e fora da sala de aula. Azevedo JF (trad.). São Paulo: Instituto Pieron de Psicologia Aplicada, 1997.
Na BNCC, competência é definida como a mobilização de conhecimentos (conceitos e procedimentos), habilidades (práticas, cognitivas e socioemocionais), atitudes e valores para resolver demandas complexas da vida cotidiana, do pleno exercício da cidadania e do mundo do trabalho. Ao definir essas competências, a BNCC reconhece que a “educação deve afirmar valores e estimular ações que contribuam para a transformação da sociedade, tornando-a mais humana, socialmente justa e, também, voltada para a preservação da natureza”, mostrando-se também alinhada à Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas. É imprescindível destacar que as competências gerais da Educação Básica, apresentadas a direita, inter-relacionam-se e desdobram-se no tratamento didático proposto para as três etapas da Educação.
É na interação com os pares e com adultos que as crianças vão constituindo um modo próprio de agir, sentir e pensar e vão descobrindo que existem outros modos de vida, pessoas diferentes, com outros pontos de vista. Conforme vivem suas primeiras experiências sociais (na família, na instituição escolar, na coletividade), constroem percepções e questionamentos sobre si e sobre os outros, diferenciando-se e, simultaneamente, identificando- se como seres individuais e sociais. Ao mesmo tempo que participam de relações sociais e de cuidados pessoais, as crianças constroem sua autonomia e senso de autocuidado, de reciprocidade e de interdependência com o meio. Por sua vez, na Educação Infantil, é preciso criar oportunidades para que as crianças entrem em contato com outros grupos sociais e culturais, outros modos de vida, diferentes atitudes, técnicas e rituais de cuidados pessoais e do grupo, costumes, celebrações e narrativas. Nessas experiências, elas podem ampliar o modo de perceber a si mesmas e ao outro, valorizar sua identidade, respeitar os outros e reconhecer as diferenças que nos constituem como seres humanos.
Com o corpo (por meio dos sentidos, gestos, movimentos impulsivos ou intencionais, coordenados ou espontâneos), as crianças, desde cedo, exploram o mundo, o espaço e os objetos do seu entorno, estabelecem relações, expressam-se, brincam e produzem conhecimentos sobre si, sobre o outro, sobre o universo social e cultural, tornando-se, progressivamente, conscientes dessa corporeidade. Por meio das diferentes linguagens, como a música, a dança, o teatro, as brincadeiras de faz de conta, elas se comunicam e se expressam no entrelaçamento entre corpo, emoção e linguagem. As crianças conhecem e reconhecem as sensações e funções de seu corpo e, com seus gestos e movimentos, identificam suas potencialidades e seus limites, desenvolvendo, ao mesmo tempo, a consciência sobre o que é seguro e o que pode ser um risco à sua integridade física. Na Educação Infantil, o corpo das crianças ganha centralidade, pois ele é o partícipe privilegiado das práticas pedagógicas de cuidado físico, orientadas para a emancipação e a liberdade, e não para a submissão. Assim, a instituição escolar precisa promover oportunidades ricas para que as crianças possam, sempre animadas pelo espírito lúdico e na interação com seus pares, explorar e vivenciar um amplo repertório de movimentos, gestos, olhares, sons e mímicas com o corpo, para descobrir variados modos de ocupação e uso do espaço com o corpo (tais como sentar com apoio, rastejar, engatinhar, escorregar, caminhar apoiando-se em berços, mesas e cordas, saltar, escalar, equilibrar-se, correr, dar cambalhotas, alongar-se etc.).
Conviver com diferentes manifestações artísticas, culturais e científicas, locais e universais, no cotidiano da instituição escolar, possibilita às crianças, por meio de experiências diversificadas, vivenciar diversas formas de expressão e linguagens, como as artes visuais (pintura, modelagem, colagem, fotografia etc.), a música, o teatro, a dança e o audiovisual, entre outras. Com base nessas experiências, elas se expressam por várias linguagens, criando suas próprias produções artísticas ou culturais, exercitando a autoria (coletiva e individual) com sons, traços, gestos, danças, mímicas, encenações, canções, desenhos, modelagens, manipulação de diversos materiais e de recursos tecnológicos. Essas experiências contribuem para que, desde muito pequenas, as crianças desenvolvam senso estético e crítico, o conhecimento de si mesmas, dos outros e da realidade que as cerca. Portanto, a Educação Infantil precisa promover a participação das crianças em tempos e espaços para a produção, manifestação e apreciação artística, de modo a favorecer o desenvolvimento da sensibilidade, da criatividade e da expressão pessoal das crianças, permitindo que se apropriem e reconfigurem, permanentemente, a cultura e potencializem suas singularidades, ao ampliar repertórios e interpretar suas experiências e vivências artísticas.
Desde o nascimento, as crianças participam de situações comunicativas cotidianas com as pessoas com as quais interagem. As primeiras formas de interação do bebê são os movimentos do seu corpo, o olhar, a postura corporal, o sorriso, o choro e outros recursos vocais, que ganham sentido com a interpretação do outro. Progressivamente, as crianças vão ampliando e enriquecendo seu vocabulário e demais recursos de expressão e de compreensão, apropriando-se da língua materna – que se torna, pouco a pouco, seu veículo privilegiado de interação. Na Educação Infantil, é importante promover experiências nas quais as crianças possam falar e ouvir, potencializando sua participação na cultura oral, pois é na escuta de histórias, na participação em conversas, nas descrições, nas narrativas elaboradas individualmente ou em grupo e nas implicações com as múltiplas linguagens que a criança se constitui ativamente como sujeito singular e pertencente a um grupo social.
Desde cedo, a criança manifesta curiosidade com relação à cultura escrita: ao ouvir e acompanhar a leitura de textos, ao observar os muitos textos que circulam no contexto familiar, comunitário e escolar, ela vai construindo sua concepção de língua escrita, reconhecendo diferentes usos sociais da escrita, dos gêneros, suportes e portadores. Na Educação Infantil, a imersão na cultura escrita deve partir do que as crianças conhecem e das curiosidades que deixam transparecer. As experiências com a literatura infantil, propostas pelo educador, mediador entre os textos e as crianças, contribuem para o desenvolvimento do gosto pela leitura, do estímulo à imaginação e da ampliação do conhecimento de mundo. Além disso, o contato com histórias, contos, fábulas, poemas, cordéis etc. propicia a familiaridade com livros, com diferentes gêneros literários, a diferenciação entre ilustrações e escrita, a aprendizagem da direção da escrita e as formas corretas de manipulação de livros. Nesse convívio com textos escritos, as crianças vão construindo hipóteses sobre a escrita que se revelam, inicialmente, em rabiscos e garatujas e, à medida que vão conhecendo letras, em escritas espontâneas, não convencionais, mas já indicativas da compreensão da escrita como sistema de representação da língua.
As crianças vivem inseridas em espaços e tempos de diferentes dimensões, em um mundo constituído de fenômenos naturais e socioculturais. Desde muito pequenas, elas procuram se situar em diversos espaços (rua, bairro, cidade etc.) e tempos (dia e noite; hoje, ontem e amanhã etc.). Demonstram também curiosidade sobre o mundo físico (seu próprio corpo, os fenômenos atmosféricos, os animais, as plantas, as transformações da natureza, os diferentes tipos de materiais e as possibilidades de sua manipulação etc.) e o mundo sociocultural (as relações de parentesco e sociais entre as pessoas que conhece; como vivem e em que trabalham essas pessoas; quais suas tradições e seus costumes; a diversidade entre elas etc.). Além disso, nessas experiências e em muitas outras, as crianças também se deparam, frequentemente, com conhecimentos matemáticos (contagem, ordenação, relações entre quantidades, dimensões, medidas, comparação de pesos e de comprimentos, avaliação de distâncias, reconhecimento de formas geométricas, conhecimento e reconhecimento de numerais cardinais e ordinais etc.) que igualmente aguçam a curiosidade. Portanto, a Educação Infantil precisa promover experiências nas quais as crianças possam fazer observações, manipular objetos, investigar e explorar seu entorno, levantar hipóteses e consultar fontes de informação para buscar respostas às suas curiosidades e indagações. Assim, a instituição escolar está criando oportunidades para que as crianças ampliem seus conhecimentos do mundo físico e sociocultural e possam utilizá-los em seu cotidiano.
Alguns projetos aqui apresentados poderão receber as contribuições de todas as pessoas que desejem ajudar a melhorar esta proposta a fim de que a MEDIAÇÃO proposta por Feuerstein, as comunidades de aprendizagem (projetoancora.org.br) e a BNCC sejam mais conhecidas e possam fazer parte do dia a dia das escolas.
Para nos contactar favor usar o e-mail: escola@padolma.com.br